A Petrobras esclareceu nesta terça-feira que os investimentos programados para este ano totalizam R$ 79,45 bilhões. O valor é inferior ao mencionado pela candidata petista Dilma Rousseff (ministra chefe da Casa Civil), em discurso eleitoral no Rio de Janeiro, na segunda-feira. Dilma Rousseff, que preside o Conselho de Administração da petrolífera, ganhando um monte de dinheiro para isso, havia apontado um montante de R$ 85 bilhões para novos projetos.
Apesar de fazer parte do Conselho de Administração da estatal e receber salário mensal de R$ 114.813,88, juntamente com cinco integrantes da equipe de governo petista, a ministra Dilma Rousseff não foi verdadeira ao anunciar os valores dos investimentos. São mais de cinco bilhões de reais de diferença, o que muda a avaliaçãpo de acionistas e investidores do setor. Como membro do Conselho de Administração da Petrobras, sua afirmação no encontro eleitoreiro teve consequências mercado de ações. Ela precisaria ser investigada e punida pela Comissão de Valores Mobiliários. A previsão de R$ 79,45 bilhões foi encaminhada ao governo federal e está incluída no orçamento de 2010.
Do total programado, R$ 35,69 bilhões serão aplicados na área de Exploração e Produção, que concentra os investimentos no desenvolvimento de novos poços e na implementação de plataformas. Outros R$ 30,75 bilhões serão usados para projetos das áreas de Abastecimento e Petroquímica, que envolvem a construção de novas refinarias. A área Internacional deverá investir R$ 5 bilhões. Já no segmento de Gás e Energia, a Petrobras pretende investir R$ 4,82 bilhões. Ou seja, o valor eleitoral divulgado pela candidata petista Dilma Rousseff extrapolou o que a companhia pretende investir durante todo este ano no setor de gás e energia.
O plano estratégico da Petrobras prevê investimentos de US$ 174,4 bilhões, de 2009 a 2013. A atualização desse planejamento está sendo discutida e condicionada à aprovação, por parte do Congresso, do plano de capitalização da empresa, para garantir recursos para a exploração na camada pré-sal. Quando sair do Ministério, Dilma Rousseff se afastará também do Conselho de Administração da Petrobras, e de outros conselhos que ela integra, ganhando por todos eles? De brisa ela não viveria, porque o que acumulou durante estes anos, presidindo esses conselhos, daria uma reserva para ela viver folgadamente durante alguns anos.
Dilma Rousseff admite que receberá salário do PT e diz que não pode "viver de brisa"
Dilma Rousseff confirmou nesta terça-feira que vai receber salário pago pelo partido durante a campanha eleitoral. Como Dilma deixará o governo no começo de abril para poder ser candidata, ela disse que não pode "viver de brisa", e por isso será custeada pelo partido ao longo da campanha.
Ora, isso não é verdade. Dilma Rousseff é funcionária, desde outubro de 1975, da Fundação Economia e Estatística do governo do Estado do Rio Grande do Sul. Saindo do ministério, para o qual ela está cedida pela FEE, recebendo salário da FEE (a fundação é ressarcida dos seus custos pelo governo federal), ela deveria se reapresentar para o trabalho. E poderia ser licenciada, conforme prevê a lei, no momento em que o partido oficializar a sua candidatura em convenção nacional, quando ficaria com o salário integral durante o período oficial de campanha eleitoral. "Eu vou ter que viver, eu sou obrigada a licenciar da minha atividade não só como ministra, mas da minha origem. Eu sou da fundação de economia e estatística e também não posso receber, tenho que pedir licença para tratamento de interesse. Não posso viver de brisa e não sou rica, vou ter que ter um salário do PT", afirmou ela.
Sem falar em valores do seu futuro salário, estimado em R$ 10 mil, Dilma Rousseff disse que nunca recebeu dinheiro do PT anteriormente. Ela confirmou que o partido pretende manter uma tesouraria específica para gerir os recursos de sua campanha presidencial, separada da tesouraria geral da legenda (mas, como o PT registrará os gastos dela enquanto não for candidata oficialmente?). "Nós temos tido nas últimas eleições uma opção por diferenciar as duas tesourarias do partido, uma vez que ela tem mais obrigações, que é a campanha presidencial. A tendência é manter isso, a mesma coisa que ocorreu em 2006, na época da eleição do presidente Lula", afirmou a candidata neopetista.
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