Prédio da cerâmica, escola, igreja e armazém já haviam sido demolidos, desestruturando completamente o bairro localizado próximo ao km 150, da Rodovia BR-393. Sem segurança e rede de água potável, ficava impossível sobreviverem as famílias ali. Autoridades locais permaneceram insensíveis ante cenário absurdo.
Após as reportagens publicadas desde a última semana, sobre a área ocupada pelos operários demitidos da Cerâmica Porto Velho e a forma como estava sendo tratada a questão referente ao processo de indenização das 26 famílias, modificou da água para o vinho o relacionamento entre aquela gente humilde e Furnas, responsável pelo empreendimento de Simplício. Consequência disso foi a imediata suspensão das explosões, a religação da água e a presença de negociadores que já deram início aos acordos indenizatórios.
O relato e desabafos de homens, mulheres e crianças que ali residem, alguns há mais de 40 anos, comoveu lideranças comunitárias e autoridades públicas, que definiram o caso como “saco de maldades”. Com repercussão até no Congresso Nacional, onde representantes do PSol do Rio de Janeiro se mostraram apreensivos com os rumos do empreendimento, surpreendentemente, o processo indenizatório antes emperrado e de diálogo dificultoso, acabou essa semana, com o início das primeiras liberações de cartas creditícias.
Até ontem já se contavam quase 10 famílias que receberam os passaportes para aquisição dos novos lares em diversos bairros de Três Rios. Pelo ritmo dos trabalhos, espera-se que até o final do mês, todas as pendências estejam resolvidas.
Os editores do jornal Relatos & Rumores e da Agência Serra, se sentem confortados e felizes por terem colaborado para o fim do azedamento da relação entre as duas partes. Alguns desses valorosos trabalhadores já expressaram sua satisfação pela atuação da imprensa, como é o caso de dona Doralice, que nos abraçou chorando de tanta satisfação. “Já não dormia direito com aquela situação tão humilhante e desrespeitosa, pois também somos seres humanos”. Disse ela emocionada e concluiu dizendo que “foi Deus que mandou uma bondosa pessoa para livrar-nos de tanto sofrimento.”
Apesar de inúmeras tentativas, Furnas não se manifestou oficialmente sobre o caso e seus funcionários estão impedidos de conversar com a imprensa, mesmo aparentando satisfação com o final feliz em meio àquela gente sofrida e abandonada pelo destino.
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